O vale-pedágio por placa permite que a passagem por um pórtico de Pedágio Free Flow seja vinculada automaticamente ao benefício já contratado, sem depender de uma tag instalada no veículo. A identificação é feita por leitura de placa, e o sistema localiza a viagem cadastrada para quitar a passagem. A cobertura, porém, ainda não é nacional: ela depende de acordos entre as fornecedoras do vale-pedágio e as concessionárias.
Por que a placa virou assunto agora
A modalidade ganha espaço exatamente porque o Free Flow avança nas rodovias. No pedágio sem cancela, não existe cabine para apresentar comprovante nem barreira para interromper a viagem: o veículo passa, o pórtico registra, e a cobrança acontece depois.
Esse desenho criou uma lacuna para quem transporta carga sem tag. Sem um identificador no para-brisa, o motorista precisava procurar os canais de cada concessionária para quitar as passagens cobertas pelo benefício, rodovia por rodovia. O vale-pedágio por placa nasce para fechar essa lacuna.
A tecnologia por trás é o reconhecimento óptico de caracteres, conhecido pela sigla OCR. Nos pontos integrados ao serviço, câmeras identificam a placa, o sistema consulta a viagem cadastrada e vincula o registro ao vale-pedágio. O pagamento já foi preparado antes pelo contratante, desde que o cadastro esteja correto e o percurso seja atendido pela solução.
Quem já está nessa corrida
A Roadcard teve seu modelo operacional aprovado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres, a ANTT, em julho de 2025. Em entrevista ao videocast da Transporte Moderno, Felipe Dick, CEO da empresa, explicou que a solução foi desenvolvida para atender caminhoneiros que não utilizam tag.
A Move Mais anunciou uma plataforma com contratação pré-paga via Pix e saldo associado à placa, em que o usuário também poderá consultar rota, saldo e registros de passagem. Mauro Telles, diretor executivo de Novos Negócios da companhia, afirmou em nota que o próximo avanço está em tornar a gestão mais simples, levando a digitalização do pedágio também para quem administra a frota.
A tag não vai sair de cena
Essa é a parte que mais importa para quem dirige. “O tag não vai acabar. O tag é uma boa solução”, disse Felipe Dick. A proposta das novas plataformas é conviver com os meios existentes e atender também quem ainda não aderiu ao dispositivo.
Faz sentido. A leitura de placa resolve a identificação, mas não entrega a mesma experiência de quem já tem uma Tag Free Flow: passagem reconhecida na hora, cobrança centralizada em um só extrato e uso que vai muito além do pórtico.
O limite do modelo: cobertura
A leitura da placa, por si só, não garante que o pagamento seja reconhecido em qualquer rodovia. Ao aprovar o modelo da Roadcard, a ANTT vinculou sua implantação a contratos com concessionárias e a um cronograma de adoção da leitura de placas nas praças. A Move Mais também negocia a expansão da rede, mas não detalhou as rodovias atendidas, os preços ou a data de início da oferta comercial.
Quem paga continua sendo quem contrata
Vale reforçar uma regra que a nova tecnologia não altera: a responsabilidade pelo pagamento permanece com quem contrata o transporte. Nas operações sujeitas à antecipação, o vale-pedágio deve ser disponibilizado até o embarque, por uma fornecedora habilitada pela ANTT, separado do valor do frete e em montante suficiente para o percurso contratado. Adotar uma nova tecnologia não transfere ao caminhoneiro a obrigação de custear os pedágios que cabem ao contratante.
Para a gestão, a ANTT aponta que a integração dos registros eletrônicos de pagamento e de passagem facilita o acompanhamento das operações e a fiscalização do benefício.
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Perguntas frequentes
O que é o vale-pedágio por placa no sistema Free Flow?
É uma modalidade que vincula a passagem do caminhão pelo pórtico ao benefício já adquirido, sem exigir uma tag física instalada no para-brisa. Câmeras com tecnologia OCR leem a placa em movimento, localizam a viagem cadastrada no sistema e realizam a quitação automática da tarifa.
Qual problema o vale-pedágio por placa resolve para o transportador?
A tecnologia resolve a lacuna de caminhoneiros que rodam sem tag em trechos com pedágio sem cancela. Sem o dispositivo, o motorista precisava acessar os canais de cada concessionária após a viagem para quitar as passagens cobertas pelo benefício, processo que agora passa a ser automático nas rodovias integradas.
O vale-pedágio por placa substituirá o uso das tags físicas?
Não. As plataformas foram desenvolvidas para conviver com os dispositivos já existentes. A leitura por placa atende quem ainda não aderiu ao adesivo, mas a tag continua sendo a opção mais abrangente, oferecendo leitura instantânea, extrato centralizado e aceitação em praças convencionais e estacionamentos.
Qual é a principal limitação do vale-pedágio por leitura de placa atualmente?
A principal limitação é a cobertura geográfica restrita, que ainda não é nacional. O reconhecimento da passagem pela placa depende de acordos comerciais firmados individualmente entre as fornecedoras de vale-pedágio e as concessionárias, além de cronogramas de implantação técnica em cada trecho.
Quais empresas já atuam ou anunciaram soluções de vale-pedágio por placa?
A Roadcard teve seu modelo operacional aprovado pela ANTT para atender caminhoneiros sem tag. Paralelamente, a Move Mais anunciou uma ferramenta de gestão pré-paga abastecida via Pix, com saldo vinculado à placa e controle de rota e passagens.
Quem é o responsável pelo pagamento do vale-pedágio no modelo por placa?
A responsabilidade permanece integralmente com o contratante do serviço de transporte (embarcador). A legislação exige que o valor do pedágio seja disponibilizado antes do embarque, de forma separada do frete e em montante suficiente para toda a rota, não transferindo nenhum custo ao caminhoneiro.


